terça-feira, 12 de julho de 2011

Cribari mostra 'classe' com as palavras e promete o mesmo dentro de campo


Gilmar Laignier/Superesportes
Cribari, de 31 anos, chega da Itália para defender primeiro grande clube no Brasil


Veja galeria de fotos do primeiro dia de Cribari na Toca da Raposa II

Fora das quatro linhas, ele é polido e articula as palavras como poucos jogadores. Dentro de campo, promete um futebol de alto nível, técnico e viril quando necessário, bem 'à escola cruzeirense'. Esse é Emílson Sánches Cribari, paranaense de nascimento e italiano de formação. Ao todo, foram 13 dos seus 31 anos na "Velha Bota", onde defendeu Empoli, Udinese, Lazio e Napoli.

Por só ter jogado nas categorias de base do Londrina-PR até rumar à Itália, Cribari parecia um garoto em sua apresentação oficial no Cruzeiro. A diferença é que ele traz consigo uma larga experiência. Caberá agora se readaptar ao estilo de jogo em seu país de nascimento para conquistar a confiança de seus compatriotas.
Gilmar Laignier/Superesportes
Segundo o diretor de futebol Dimas Fonseca, contratação foi indicada por Fabio Luciano


Ao se vestir de azul, Cribari ficou bem à vontade. É que quatro dos cinco clubes que defendeu tinham esse tom predominante em suas camisas. “Sim, Lazio, Empoli...Com certeza. Foram os clubes onde eu tive mais sucesso. No Empoli, na Lazio, onde foi a minha melhor fase na Europa, e no Nápoli. É uma cor que me traz muita sorte”.

O reforço foi indicado ao Cruzeiro pelo ex-zagueiro Fábio Luciano e teve o aval do técnico Joel Santana. O contrato é de um ano, com possibilidade de renovação por mais um. 

O clube celeste adquiriu 50% dos direitos econômicos por valor não revelado. (UAI)

Veja imagens da carreira de Cribari na Itália

A seguir, a entrevista de Cribari na íntegra:

Como se sente ao vestir a camisa do Cruzeiro?

Muito bem, com certeza. Para mim, que estou voltando de 13 anos na Itália, poder vestir essa camisa é motivo de muito orgulho. E foi mesmo a grandeza do Cruzeiro que pesou nessa minha escolha de retornar ao Brasil.


Por que decidiu retornar ao Brasil agora?


Há uns dois anos eu estava amadurecendo a ideia de voltar ao Brasil, e é claro que eu estava esperando uma oportunidade como essa, em um clube estruturado e de prestígio como o Cruzeiro. Isso foi o que pesou muito para mim para recusar a renovação do meu contrato em Nápoles e acertar com o Cruzeiro.


Qual foi o seu último jogo?


A minha última partida foi pela última rodada do Italiano, dia 22 de maio, contra a Juventus. Depois, eu fiquei um período de férias, lógico que em cuidei. Não tenho problema de peso. Mas é normal que eu precise de um período de preparação física. Treinei durante as férias, mas o ritmo de treinar com o grupo é diferente. Já estou sabendo que o Cruzeiro está em uma situação de emergência, precisando de um zagueiro (para o jogo com o Bahia). Então, se o Joel me pedisse, tocaria em um ponto fraco meu, já que espírito de sacrifício nunca faltou em minha carreira.

Fale de suas características, se é de dar chutão, de sair jogando...

Você falou em chutão? Essa é uma diferença da maioria dos zagueiros no Brasil e daquilo que a gente aprende na Europa. Lá, o chutão, na maioria das vezes, é vaiado. E aqui eu já percebi que a torcida gosta. Lógico que, crescendo no futebol europeu, eu aprendi a ser um zagueiro mais limpo, gosto de sair jogando. E é lógico que terei que me adaptar. Vou tentar mesclar as duas coisas sem fugir das minhas características naturais, mas fazendo aquilo que o futebol brasileiro pede.

O jogo mais técnico pode ser o seu diferencial no Brasil?

É difícil dizer. Só poderei responder a essa pergunta daqui a alguns meses. O que posso dizer é que estou me sentindo um garoto, que começou a jogar futebol agora, com muita motivação, e com a vantagem de ter uma bagagem de 13 anos na Europa. Tem tudo para dar certo. E não vai faltar empenho da minha parte. Mesmo porque tenho o máximo respeito por essa camisa. Comprometimento da minha parte não vai faltar.


Será um aprendizado voltar ao Brasil?

No Londrina, eu joguei só nas categorias de base. Fui com 17 anos para a Itália. Então, a adaptação vai ter que ser total. Inteligência tática, para mim, nunca faltou. Tenho a sorte de poder trabalhar com um treinador como o Joel Santana, sou muito abençoado por isso. Espero pode estar aos 100% da forma física para a adaptação ser ainda mais rápida.

O que sabe do Cruzeiro?

O que eu sei é que o Cruzeiro é uma unanimidade. Quando fiquei sabendo do interesse, meu agente é italiano e ele procurou ter informações do Cruzeiro na Itália. E as referências foram boas da parte de todo mundo. Mesmo na Europa, eu sempre acompanhei o futebol brasileiro, sei que o Cruzeiro é um clube de prestígio, um dos maiores do Brasil e o que mais está me impressionando é essa estrutura que estou vendo aqui. É realmente de nível europeu, dos clubes top da Europa.


O que passa pela cabeça de um jogador de 31 anos ao voltar ao futebol brasileiro?

O meu objetivo é aquele, de ajudar o grupo. Ajudar o time do Cruzeiro a continuar sendo o que vem sendo nos últimos anos. São títulos. E depois, lógico, demonstrar o meu valor aqui, no futebol brasileiro.