La Plata (Argentina) – Nem Pato nem Ganso. Muito menos um pombo e depois um cachorro que ousou desfilar pelo gramado e paralisar a partida por dois minutos antes de sair elegantemente rumo ao vestiário. No jogo dos bichos deste domingo, no Estádio Único, deu zebra. Os atuais bicampeões da Copa América foram incapazes de vencer a Venezuela em um fraco 0 x 0 na abertura do Grupo B. Tal como em 2007, quando perdeu para o México na Era Dunga, o time de Mano Menezes também não venceu. Até mesmo o gênio precoce Neymar foi um anjo diante da retranca do adversário. Substituídos no segundo tempo, Robinho e Pato deixaram o gramado sob vaias de uma torcida frustrada que chegou a provocar os argentinos com gritos de “Ô, o campeão chegou”. No próximo sábado, o Brasil jogará pressionado contra o Paraguai, em Córdoba.
Posicionada no 4-3-3, a Seleção Brasileira tentou acelerar o jogo no início do primeiro tempo. Neymar, Pato e Robinho trocavam de posição no ataque para confundir a marcação da Venezuela dar opções ao meia Ganso. No entanto, a ansiedade e as deficiências de finalização impediram o Brasil de balançar a rede da Venezuela. O adversário formava uma linha de quatro e, às vezes, até de seis homens à frente do goleiro Vega e dificultavam as finalizações. Em vez de arriscar chutes de fora da área, o Brasil preferia insistir nas jogadas pelas pontas, com Neymar e André Santos de um lado e Robinho e Daniel Alves do outro, mas o toque de bola não tinha sequência justamente por falta de espaço.
A Seleção Brasileira só conseguiu assustar a Venezuela três vezes, duas delas com Alexandre Pato. No primeiro lance, Daniel Alves invadiu a área pela direita e serviu o camisa 9. O atacante dominou a bola com a perna esquerda, chutou de direita e acertou o travessão. A outra assistência foi de Ramires. Pato finalizou, mas Vega defendeu em dois tempos. Pela esquerda, Neymar chegou a deixar Robinho na cara do gol, mas o parceiro mostrou a velha deficiência na finalização. Chutou mal, viu Vega defender parcialmente e o zagueiro Vizcarrondo evitou o gol de forma espetacular, com o ombro. A melhor chance de Neymar começou nos pés de Ganso. O camisa 10 acionou o parceiro na esquerda. Neymar chutou cruzado e a bola foi para fora. Indignado com a falta de fair play de Ganso, o meia González partiu para cima do camisa 10 cobrando a paralisação do jogo devido à queda do atacante Fedor no campo de ataque do Brasil. A temperatura subiu, mas Lucas Leiva agiu como pacificador.
Paz em campo, guerra lá fora. Na entrada do vestiário, o técnico da Venezuela, César Farias, teria tentado intimidar o atacante Neymar. Mano Menezes estava próximo, não gostou da atitude do rival e foi acusado de dar um empurrão em Farias.
O clima tenso parece ter provocado um apagão na Seleção Brasileira. Em vez de pressionar, a Seleção sofreu pressão. No lance mais perigoso, Arango cruzou a bola da esquerda na área e Rondón não alcançou por pouco. Atento, Julio Cesar defendeu. Desencontrado e desentrosado, o Brasil partiu para os lances individuais, como em uma arrancada de Ramires pela direita, mas a defesa da Venezuela estava intransponível. Mano trocou Robinho por Fred, sacou Pato para a entrada de Lucas – aclamado pela torcida –, reforçou a marcação com Elano, mas continuou tomando sufoco até o apito final, quando a torcida venezuelana e argentina explodiu de alegria como se fosse um título.
FICHA TÉCNICA
Brasil 0 x 0 Venezuela
Brasil
Julio Cesar; Daniel Alves, Lúcio, Thiago Silva e André Santos; Lucas Leiva, Ramires (Elano) e Ganso; Robinho (Fred), Pato (Lucas) e Neymar.
Técnico: Mano Menezes
Venezuela
Vega; Rosales, Vizcarrondo, Perozo e Cichero; Rincón, Lucena, González (Di Giorgi) e Arango; Fedor (Maldonado) e Rondón (Moreno)
Técnico: Cesar Farias
Motivo: Copa América
Cartões amarelos: Thiago Silva, Rondón
Árbitro: Raúl Orozco (Bolívia)
Público e renda: não divulgados