A Wada (Agência Mundial Antidoping) não aceitou a redução de sua pena de dois anos para seis meses, decidida por tribunal do Brasil, em 2010. Caso os auditores entendam ter havido reincidência, já que a substância foi encontrada em duas partidas há pouco menos de dois anos --pelo Botafogo, dono de seus direitos federativos, contra Coritiba e Palmeiras--, Jobson corre o risco de ser afastado definitivamente do esporte.
A defesa do atleta, porém, diz que a punição máxima seria de mais um ano e meio de suspensão. E que o resultado não tem data pré-definida, podendo ser ainda na sessão ou demorar até dois meses.
"Geralmente, são 30 dias", afirma um dos quatro advogados do atleta, Carlos Portinho. Desta forma, o camisa 11 do Bahia continuaria atuando normalmente no Brasileiro.
Durante julgamento no STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), no Rio, Jobson admitiu ter usado crack. "Mas, pelo que tenho conhecimento, está limpo desde o segundo julgamento [em 29 de abril de 2010]", afirmou Portinho em entrevista ao jornal baiano "A Tarde". A defesa levará para a Suíça, onde o atacante se encontra desde domingo, provas do monitoramento feito por Bahia e Botafogo.
Portinho acredita que, se a pena não for mantida e o jogador precise ficar mais um tempo afastado, "o esporte perderá para as drogas". Ele explica: "Jobson tem um problema de saúde, não usou a droga para potencializar o rendimento. Caso o pior aconteça, a saúde dele estaria sendo relegada e uma recaída poderia acontecer", prevê. O advogado ainda sustenta que a própria Fifa considera a cocaína uma droga da sociedade, não do esporte.
Como jurisprudência, a defesa citará o resultado da audiência com um atleta francês, julgado em 2005. Por ter 17 anos na época, seu nome não foi revelado, mas o caso é idêntico. "Levaram em conta a questão da pouca experiência, pois, para a Fifa, a idade de formação do jogador é de 16 a 21 anos [quanto Jobson tinha quando seu exame acusou a sustância]. Pegou seis meses", relata.
O vídeo abaixo foi feito por torcedores do Bahia e divulgado no site oficial do clube, em apoio ao jogador:
FRIOZINHO
Antes de viajar, Jobson confessou aos repórteres no aeroporto estar apreensivo. "Não vou mentir. Dá um friozinho na barriga. Estou um pouco tenso para saber o resultado, mas estou feliz e confiante".
Perguntado sobre uma nova suspensão, respondeu: "Pô... eu ia ficar muito triste, cara. Não sei se minha cabeça ia aguentar e nem o que seria de mim".
Na audiência, que começará às 9h da manhã (4h de Brasília), Jobson e testemunhas vão depor antes de os advogados (Carlos Portinho, Marcos Mota, Bichara Abdão Neto e Anibal Segundo, este do Botafogo) apresentarem seus argumentos. Os cariocas também enviaram a psícologa (Maíra Ruas) e o médico-chefe (Luiz Fernando Menezes) do clube.
A previsão de término é às 17 horas
Se não se livrar das acusações, Jobson terá o contrato rescindido sem ônus para o Bahia.
CRACOLÂNDIA
Em entrevista à Folha no dia 13 de maio, Jobson disse estar cansado de tanta desconfiança. "Se eu fosse o que dizem, hoje estaria na Cracolândia."
Hiperativo, o jogador nascido em Conceição do Araguaia, no Pará, só tirava o sorriso do rosto quando o assunto era esse período do passado, segundo ele, "já apagado".
Falou abertamente das peraltices da infância, apenas com a mãe, doméstica, que dividiu a criação com um tio policial e outro fazendeiro.
Da parte do pai, disse não saber nem se tem dois ou três irmãos. Até a expulsão de duas escolas da cidade e a participação em esquema de adulteração de idade, ainda na época de amador, foram contados pelo atacante. Aos risos.
"Nosso time foi eliminado porque só tinha 'gato' [jogador que adultera a idade para menos]. Após isso, toda a documentação foi resolvida", afirmou ele, que se considera um "ex-futuro" evangélico e parou de estudar na 8ª série: "Aprontava demais".
Mas se fechou sobre o doping. Instrução dos advogados, aliada a ressentimento dos críticos. "Muitos querem que eu me ferre".
No único momento mais franco, soltpu: "Muita gente te dá conselho, lógico que tem que pegar os dos mais velhos, mas o bom é você viver. E eu vivi o que passei. Ali, foi mais uma experiência na minha vida", afirma o jogador.
"Hoje, eu paro para pensar... tenho 23 anos. Cara, já aconteceu tanta coisa na minha vida que parece que tenho 50! Posso dar conselho aos moleques."
CARREIRA
Jobson prometia "arrebentar" no Brasileiro e disse sonha defender a seleção na Copa de 2014.
Ele imaginava já ter pagado pelo erro. "Fiquei afastado, sem jogar, isso me prejudicou muito. Se não tivessem me punido, teria ido para o Cruzeiro [em 2010]. Teria sido outra história a minha vida."
Com o doping, os mineiros desistiram de contratá-lo. Pena diminuída em um ano e meio, voltou ao Botafogo, que o havia levado do Brasiliense, onde iniciou a carreira aos 17 anos, sem passar por divisões de base no Pará. Chegou ao DF após um primo lhe indicar para um teste.
"Desde lá, já tinha uma personalidade do caramba. Existiam atletas de nome, como Dimba e Iranildo, e comprei briga com todos, disse que era eu quem iria bater os pênaltis", lembra.
No Botafogo, protagonizou episódios de indisciplina, com atrasos e faltas a treinos, que fizeram até o bonachão técnico Joel Santana perder a paciência com ele.
Pai de um bebê de 18 meses, Jobson ainda atuou no Jeju, da Coreia do Sul, antes de despontar no Rio. "Fui bem. Tenho certeza de que deixei portas abertas."
Peça-chave na fuga do rebaixamento do Botafogo, em 2009, Jobson festeja ter sido reconhecido "por todo o país" naquele ano. Mas, devido à indisciplina, foi emprestado ao Atlético-MG em janeiro de 2011.
A expectativa foi grande em Minas, mas ele pediu para ir embora, afirmando que não estava feliz. "Darei a volta por cima no Bahia."
EXAMES SEMANAIS
Com o objetivo de se mostrar "limpo" em relação ao doping, até para ajudar no julgamento desta terça, o primeiro pedido de Jobson quando chegou ao Bahia foi para ser submetido a exames a cada semana.
"Partiu dele e de seus procuradores, aprovamos e vamos buscar seguir", disse à Folha o vice-presidente médico da equipe, Marcos Lopes.
"Acho que ninguém ou nenhum clube deveria ter desconfiança comigo. Se algum dia fizer besteira, eu que estou f..., e não o clube", afirmou o jogador.
Torcedor do Palmeiras desde criança, ele treinava ao lado dos ex-corintianos Lulinha e Souza em Águas de Lindoia (SP), local escolhido pelo Bahia para a intertemporada de preparação ao Brasileiro.
"Jobson tem uma alma pura, como a do Garrincha. Entra em campo e não se preocupa com nada. Só joga a bola dele", declarou o técnico René Simões.
Agora, o treinador comenta: "Ele já pagou pelo que fez e está sendo monitorado, acompanhado por todos nós. Torço para que ele continue conosco, pois é um ser humano maravilhoso, que cometeu um erro, como muitos outros cometem".
A defesa do atleta, porém, diz que a punição máxima seria de mais um ano e meio de suspensão. E que o resultado não tem data pré-definida, podendo ser ainda na sessão ou demorar até dois meses.
"Geralmente, são 30 dias", afirma um dos quatro advogados do atleta, Carlos Portinho. Desta forma, o camisa 11 do Bahia continuaria atuando normalmente no Brasileiro.
Durante julgamento no STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), no Rio, Jobson admitiu ter usado crack. "Mas, pelo que tenho conhecimento, está limpo desde o segundo julgamento [em 29 de abril de 2010]", afirmou Portinho em entrevista ao jornal baiano "A Tarde". A defesa levará para a Suíça, onde o atacante se encontra desde domingo, provas do monitoramento feito por Bahia e Botafogo.
Portinho acredita que, se a pena não for mantida e o jogador precise ficar mais um tempo afastado, "o esporte perderá para as drogas". Ele explica: "Jobson tem um problema de saúde, não usou a droga para potencializar o rendimento. Caso o pior aconteça, a saúde dele estaria sendo relegada e uma recaída poderia acontecer", prevê. O advogado ainda sustenta que a própria Fifa considera a cocaína uma droga da sociedade, não do esporte.
Como jurisprudência, a defesa citará o resultado da audiência com um atleta francês, julgado em 2005. Por ter 17 anos na época, seu nome não foi revelado, mas o caso é idêntico. "Levaram em conta a questão da pouca experiência, pois, para a Fifa, a idade de formação do jogador é de 16 a 21 anos [quanto Jobson tinha quando seu exame acusou a sustância]. Pegou seis meses", relata.
O vídeo abaixo foi feito por torcedores do Bahia e divulgado no site oficial do clube, em apoio ao jogador:
FRIOZINHO
Antes de viajar, Jobson confessou aos repórteres no aeroporto estar apreensivo. "Não vou mentir. Dá um friozinho na barriga. Estou um pouco tenso para saber o resultado, mas estou feliz e confiante".
Perguntado sobre uma nova suspensão, respondeu: "Pô... eu ia ficar muito triste, cara. Não sei se minha cabeça ia aguentar e nem o que seria de mim".
Na audiência, que começará às 9h da manhã (4h de Brasília), Jobson e testemunhas vão depor antes de os advogados (Carlos Portinho, Marcos Mota, Bichara Abdão Neto e Anibal Segundo, este do Botafogo) apresentarem seus argumentos. Os cariocas também enviaram a psícologa (Maíra Ruas) e o médico-chefe (Luiz Fernando Menezes) do clube.
A previsão de término é às 17 horas
Se não se livrar das acusações, Jobson terá o contrato rescindido sem ônus para o Bahia.
CRACOLÂNDIA
Em entrevista à Folha no dia 13 de maio, Jobson disse estar cansado de tanta desconfiança. "Se eu fosse o que dizem, hoje estaria na Cracolândia."
Hiperativo, o jogador nascido em Conceição do Araguaia, no Pará, só tirava o sorriso do rosto quando o assunto era esse período do passado, segundo ele, "já apagado".
| Daniel Marenco-11.mai.2011/Folhapress |
| O atacante Jobson treina com o Bahia |
Da parte do pai, disse não saber nem se tem dois ou três irmãos. Até a expulsão de duas escolas da cidade e a participação em esquema de adulteração de idade, ainda na época de amador, foram contados pelo atacante. Aos risos.
"Nosso time foi eliminado porque só tinha 'gato' [jogador que adultera a idade para menos]. Após isso, toda a documentação foi resolvida", afirmou ele, que se considera um "ex-futuro" evangélico e parou de estudar na 8ª série: "Aprontava demais".
Mas se fechou sobre o doping. Instrução dos advogados, aliada a ressentimento dos críticos. "Muitos querem que eu me ferre".
No único momento mais franco, soltpu: "Muita gente te dá conselho, lógico que tem que pegar os dos mais velhos, mas o bom é você viver. E eu vivi o que passei. Ali, foi mais uma experiência na minha vida", afirma o jogador.
"Hoje, eu paro para pensar... tenho 23 anos. Cara, já aconteceu tanta coisa na minha vida que parece que tenho 50! Posso dar conselho aos moleques."
CARREIRA
Jobson prometia "arrebentar" no Brasileiro e disse sonha defender a seleção na Copa de 2014.
Ele imaginava já ter pagado pelo erro. "Fiquei afastado, sem jogar, isso me prejudicou muito. Se não tivessem me punido, teria ido para o Cruzeiro [em 2010]. Teria sido outra história a minha vida."
Com o doping, os mineiros desistiram de contratá-lo. Pena diminuída em um ano e meio, voltou ao Botafogo, que o havia levado do Brasiliense, onde iniciou a carreira aos 17 anos, sem passar por divisões de base no Pará. Chegou ao DF após um primo lhe indicar para um teste.
"Desde lá, já tinha uma personalidade do caramba. Existiam atletas de nome, como Dimba e Iranildo, e comprei briga com todos, disse que era eu quem iria bater os pênaltis", lembra.
No Botafogo, protagonizou episódios de indisciplina, com atrasos e faltas a treinos, que fizeram até o bonachão técnico Joel Santana perder a paciência com ele.
Pai de um bebê de 18 meses, Jobson ainda atuou no Jeju, da Coreia do Sul, antes de despontar no Rio. "Fui bem. Tenho certeza de que deixei portas abertas."
Peça-chave na fuga do rebaixamento do Botafogo, em 2009, Jobson festeja ter sido reconhecido "por todo o país" naquele ano. Mas, devido à indisciplina, foi emprestado ao Atlético-MG em janeiro de 2011.
A expectativa foi grande em Minas, mas ele pediu para ir embora, afirmando que não estava feliz. "Darei a volta por cima no Bahia."
EXAMES SEMANAIS
Com o objetivo de se mostrar "limpo" em relação ao doping, até para ajudar no julgamento desta terça, o primeiro pedido de Jobson quando chegou ao Bahia foi para ser submetido a exames a cada semana.
"Partiu dele e de seus procuradores, aprovamos e vamos buscar seguir", disse à Folha o vice-presidente médico da equipe, Marcos Lopes.
"Acho que ninguém ou nenhum clube deveria ter desconfiança comigo. Se algum dia fizer besteira, eu que estou f..., e não o clube", afirmou o jogador.
Torcedor do Palmeiras desde criança, ele treinava ao lado dos ex-corintianos Lulinha e Souza em Águas de Lindoia (SP), local escolhido pelo Bahia para a intertemporada de preparação ao Brasileiro.
"Jobson tem uma alma pura, como a do Garrincha. Entra em campo e não se preocupa com nada. Só joga a bola dele", declarou o técnico René Simões.
Agora, o treinador comenta: "Ele já pagou pelo que fez e está sendo monitorado, acompanhado por todos nós. Torço para que ele continue conosco, pois é um ser humano maravilhoso, que cometeu um erro, como muitos outros cometem".