Misteriosa. Assim pode ser classificada a rápida e inesperada visita de Dana White, presidente do Ultimate Fighting Championship (UFC), ontem, a Brasília. O chefão do maior evento de MMA (mixed martial arts, em inglês) do mundo passou o dia na capital em meio a encontros e reuniões sigilosas antes de embarcar no fim da noite para o Rio de Janeiro, onde acontece hoje a coletiva de imprensa do UFC Rio, marcado para 27 de agosto.
No fim da tarde, Dana recebeu a reportagem do Correio. Ele desconversou sobre os motivos de estar em Brasília, mas afirmou que não tem dúvidas de que a edição carioca do UFC terá sucesso e que pretende trazer o evento para outras cidades brasileiras, inclusive a capital. Na conversa, ele não escondeu toda sua admiração pelo brasileiro Anderson Silva, cornetou a turma do boxe e falou sobre o relacionamento dele com os lutadores. Confira o bate-papo exclusivo com o presidente do UFC.
Quais são as expectativas para o UFC Rio?
Nós esperamos que os ingressos se esgotem rapidamente. Vai ser um sucesso. Sempre que temos um evento ao vivo, a popularidade do esporte explode no país. Uma das coisas que faz o Brasil único é que os melhores lutadores peso por peso são daqui.
Você já pensa em outros eventos aqui no Brasil? Em Brasília?
Sim. Nós queremos trazer para cá (Brasília) e para todos os lugares do país.
Tem alguma previsão?
Precisamos realizar o UFC Rio primeiro. Quando o evento passar, vamos ver quanto sucesso fez, conhecer a demanda e decidir onde será o próximo aqui no Brasil.
Então depende do sucesso do UFC Rio?
Não, nós sabemos que o evento fará sucesso, não depende disso. Mas realizar um primeiro evento em um país dá início a várias coisas. Vamos ver quão rápido os ingressos serão vendidos, de onde as pessoas vão vir e os números de audiência. Existem vários fatores que vão nos ajudar a definir onde será o próximo evento.
Falando do público. Quem são os mais fanáticos?
Eu diria que os mais fanáticos que eu conheci até agora são os canadenses. Os australianos também. Aqui no Brasil eu ainda não vi como é. Estou ansioso para descobrir.
Você acha que Jon Jones pode tomar o lugar de Anderson Silva como o melhor de todos?
Eu acho que ninguém vai fazer isso tão cedo. Jon Jones é novo e ainda tem muito a provar. Sim, ele é talentoso e parece que pode ser um dos melhores, mas eu já vi milhões de caras assim. Nós estávamos olhando as estatísticas do Anderson e é algo muito louco. Na minha opinião, ele é de longe o melhor lutador da história do MMA.
Consegue dizer qual foi a melhor luta que você já assistiu no UFC?
Muita gente sabe que eu tive um ótimo relacionamento com Chuck Liddell. Quando ele estava no topo, as lutas dele eram muito divertidas. Mas eu tenho que dizer que foram as do Anderson Silva. Eu sou um grande fã e adoro vê-lo lutar. Ele é muito talentoso, faz coisas que os outros lutadores não conseguem.
Como é o seu relacionamento com os lutadores?
Depende de qual deles você está falando. Com alguns eu tenho um ótimo relacionamento, com outros não. Faz parte do negócio, é como funciona. Eu sou o cara que toma todas as decisões, então eu nunca vou ser muito popular.
Quão sincero você é com os atletas após uma péssima apresentação?
Acho que você sabe a resposta para isso. O melhor exemplo é o próprio Anderson Silva. Eu acabei de dizer como ele é um grande lutador, o melhor de todos os tempos. Mas todos viram o que aconteceu entre mim e ele quando ele lutou daquela maneira contra Demian Maia em Abu Dhabi (Anderson ficou brincando com o adversário no octógono e foi muito vaiado). Eu fiquei possesso e fiz questão de deixar não só ele mas o mundo saber o que eu tinha achado daquela performance.
Recentemente você estava discutindo com um fã de boxe pelo Twitter. Você acha que eles o odeiam?
Sim, eu sou odiado pela comunidade do boxe. Eles são um bando de bebês chorões, é inacreditável. Em primeiro lugar, sempre que há uma luta de boxe que eu estou interessado, eu compro ingresso e assisto. Esses caras não suportam o fato de que nós somos bem-sucedidos. Eles gostam de nos criticar a cada oportunidade que têm. É ridículo.
Eles se sentem ameaçados por você?
Eles agem como se eu tivesse matado o boxe. Eu não fiz isso. Eles mataram. Bob Aaron (empresário), você matou o boxe. Gary Shay (empresário), você matou o boxe. Todos esses caras que estão envolvidos com o esporte ajudaram a matá-lo.
Você assiste a outros eventos menores para garimpar talentos para o UFC?
Depende dos lutadores. Se eu ouvir alguma coisa sobre um lutador, é mais fácil do que 10 anos atrás. Eu posso entrar na internet e encontrar vídeos dele. Não era assim antigamente. Não que eu assista a muitos eventos menores, mas eu gosto de ir. Eu promovo muitas lutas, mas eu também sou um fã. Sempre que tenho a oportunidade, eu vou.